Tecnologia e Inovação

A Tesla lançou um carro que voa como um foguete! Veja como isso pode ser aplicado na prática

Por Fabrício · 16 out 2026 · 4 min de leitura

Na noite de 15 de outubro de 2026, a Tesla transmitiu ao vivo, de um campo de testes da SpaceX perto de Waco, no Texas, a apresentação do novo Roadster. Elon Musk subiu no palco dizendo que “carros voadores são reais”. O que se viu foi impressionante, mas também diferente do que o título promete. Vamos separar o que aconteceu de fato do que ainda é promessa, e ver onde essa tecnologia pode ser usada na prática.

O que a Tesla mostrou

  • Saltos com propulsores: o carro usou propulsores para pular por cima de uma fila de Teslas estacionados (Cybercab, Cybertruck, Semi, Model Y e Model 3).
  • Manobra na rampa: subiu uma rampa invertida, girou no ar e pousou de volta no asfalto.
  • Aceleração: 0 a 96 km/h em cerca de 1 segundo na versão com propulsores.
  • Como funciona: segundo o vice-presidente de engenharia, Lars Moravy, são cerca de 10 propulsores de gás frio alimentados por uns 600 litros de ar comprimido, guardados em tanques de fibra de carbono do mesmo tipo usado nos foguetes da SpaceX. O tanque pode ser recarregado.
  • Três versões: Performance (para rua, 2 lugares), Thrust (para pista, com propulsores traseiros) e Rocket (1 lugar, 10 propulsores, “só por convite”). Reservas a partir de US$ 50 mil e US$ 250 mil.
  • Prazo: Musk fala em começar a produção em 2028.

O que ainda não é

Apesar do “voa como um foguete”, ninguém viu um voo de verdade. Foram saltos curtos, sem voo contínuo nem de longa distância, e o carro estava sem motorista na demonstração. O próprio Musk disse que segurança não é a prioridade desse modelo e que o sucesso não é garantido. Vale lembrar também que esse Roadster foi anunciado em 2017 e já foi adiado várias vezes.

Resumindo: é um carro esportivo elétrico com propulsores que dão saltos espetaculares, não um carro que substitui o avião.

Como isso pode ser aplicado na prática

1. A tecnologia por trás já é usada (e pode ir além)

Propulsor de gás frio não é novidade: é o que satélites e foguetes usam há décadas para manobras pequenas e precisas, porque é simples e não pega fogo. A novidade é colocar isso num carro, junto com tanques leves de alta pressão e software que controla tudo em frações de segundo. Daqui para frente, a mesma ideia pode aparecer em:

  • Estabilidade e segurança: jatos de ar que ajudam a corrigir o carro numa derrapagem ou evitar capotamento (hoje isso é só uma possibilidade, ainda não um produto).
  • Drones e robôs: manobras rápidas em espaços apertados, como inspeção industrial e resgate.
  • Corridas e entretenimento: o uso mais imediato, já que a versão Thrust é “para pista”.

2. O “carro voador” de verdade vai chegar por outro caminho

Para transporte do dia a dia, quem está mais perto do voo urbano são os eVTOLs, aeronaves elétricas de decolagem vertical, como o projeto da Eve, empresa ligada à Embraer. Elas passam por certificação de aviação, o que leva tempo, mas é o caminho que deve levar gente pelo ar nas cidades. O Roadster ajuda a popularizar a ideia e a acelerar peças importantes: baterias, materiais leves e controle por software.

3. A lição para quem tem um negócio

O maior efeito prático de ontem foi atenção. Uma demonstração ao vivo, com um título forte, colocou o mundo inteiro falando de um produto que só chega (se chegar) em 2028. Dá para usar a mesma lógica numa empresa de qualquer tamanho:

  • Mostre funcionando: vídeo do produto em uso convence mais do que qualquer descrição. Numa loja de veículos, é o test drive filmado e a vitrine em 360° no site.
  • Surfe o assunto do momento: notícia de tecnologia é ótima para posts e artigos que levam gente até o seu site.
  • Seja honesto com o que entrega: o público percebe exagero. Promessa clara e cumprida vende por mais tempo do que “voa como um foguete”.

Conclusão

A Tesla não lançou um carro que voa como um avião, mas mostrou de verdade uma tecnologia de foguete aplicada a um carro de rua, com manobras que ninguém tinha feito antes ao vivo. No curto prazo, isso vale como espetáculo e como laboratório. No médio prazo, as peças por trás (propulsores, tanques leves e software de controle) podem chegar à segurança, aos drones e às corridas. E, para qualquer negócio, fica a lição de que mostrar a tecnologia funcionando é o que faz as pessoas prestarem atenção.

Fontes: TechCrunch, CNN, Bloomberg, CBS News, Dezeen e Electrek.

Imagem de capa ilustrativa.

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